Vendo o jardim de vovó, reparei que algumas orquídeas tinham seus respetivos recipientes suspendidos, em um pé de lichia cá de casa, através de fios de roçadeira, os mesmos de nylon cujo uso mais reputado e habitual é aparar do que auxiliar na exposição de tal e qual item. Uma entre muitas é que em questão me chamou a curiosidade a ponto de perguntá-la à dona.
—
Onde arranjou aquilo?
—
Catei na praia aquela vez, repondeu-mo.
Antes
de orquídea, falava eu de um cabo de carregador de celular. Meu cabo. Ultrapassado
como o celular. Uso inusitado e muito eficiente; fosse eu, tê-lo-ia jogado fora
como todos outros que pelo tempo deram defeito, mas ela o viu primeiro, lá largado
sobre minha mesa. Agora, aposentado da reposição energética, enxovalhado do micro
ao USB-A, encarregava-se de esconder do chão e do anonimato uma bela borboleta,
branca com respingos tirantes à violeta.
—
Linda, não é?
—
Certamente, tanto mais o cabo que a segura.
Não
ResponderExcluir