Estive
ontem realizando, do cume vespertino até o fim de noite, mais um dia de
treinamento no meu mais novo trabalho remunerado, empregado em última instância
pelo Sr. Zonta, num hipermercado varejista, como um igualmente mais novo
integrante do ilustríssimo Corpo de Operadores de Caixa, ou caixeiros para os
mais íntimos da linguagem de antigamente.
E
que pressa!
Não
sou muito multitarefa, nem nunca fui multi-atarefado, muito menos apressável em
coisa alguma, mas que fui apressado fui e muito, como jamais havia sido; tendo
a despeito de eventuais cóleras interiores pelo que é absurdo e injusto no que
tange à verdade e à discursão acerca, quando este insiste em defrontar-se-me
através de uma figura um tanto petulante, tendo à pachorra e vagareza da
tartaruga sobre a lebre, antes avessa à controvérsia do que condescendente. Não
tendo, porém, a fabulação sob forma torrencial de destino, sorte ou roteiro,
que tem particularmente às fábulas, creio não poder não me autopoliciar,
preferindo a agilidade azafamada à sua contrária ociosa. Do contrário, é
evidente que não passarei da Experiência, tendo que sondar outro encargo por
mais três meses, ou quem sabe por mais. Não há pleno emprego no Brasil, sequer seu
conceito é conhecido por aqui.
Agora,
não ter tarefa, isto é, o que fazer, num supermercado é a coisa mais misteriosa
e mitológica de todos os lugares em que já trabalhei: aparece de tempos em
tempos, sem que ninguém ache uma explicação para a sua revelação. Um milagre.
Comentários
Postar um comentário