Um
dia, um dia depois de haver voltado de uma folga compulsória (milagre o mercado
não ter funcionado no feriado), disse a uma colega minha que estava cansado.
Interrogativa, pregou-me uns olhos semicerrados, levemente entorpecidos, e exclamou
indignada:
— Que cansado,
você! Como pode cansado tendo voltado de folga? Que fez na páscoa?
— Descansei, respondi.
De fato, 8 horas e 20 minutos diários, 50 horas semanais, banco de horas que pode ser a qualquer dia imperioso que eu o compense à empresa através de uma folga minha dentro daquele intervalo de 6 meses; acúmulos de função característicos e compatíveis segundo o célebre acórdão da Quinta Turma do TST em 2019, salário baixo, pilhéria de fregueses e a recôndita troça de colegas. Fuxicos de moçoilas e indiscrições de velhas assanhadas. Cansado não estava. Como poderia, depois de uma semana azafamada como essa, estar cansado se havia “descansado” um dia inteiro? isto é, recomposto parcialmente as energias por meio de um sono extravagante em horas e de péssima qualidade, e entrementes, lá pelo meio-dia, ainda sobrando tempo de realizar nem um décimo do que, durante a semana, planejei para esta minha estimada folga e recompensadora? como poderia?
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