São
exatas seis horas e trinta minutos da tarde, início de noite, supermercado
lotado em horário de pico, lá ia eu passando as compras dos clientes naquela
minha habitual rapidez e eficiência notáveis, custosamente contraídas pelo suor
do esforço e intensa prática pelo tempo de três meses, como um competente
operador de caixa; um dia de folga no meio da semana, depois de seis dias de
labuta maquinal. Era véspera da folga.
—
Você está jogando minhas compras!
Esbravejou
a cidadã. Nada disse para não me complicar ainda mais já pensando que me
denunciaria à minha encarregada, mas deixei claro em ações minha velada
resposta àquela objeção disfarçada de chilique.
Sete horas em ponto, lá estava eu passando as compras do mesmo cliente, por quem
fizera questão de, durante o restante daquele nosso brevíssimo contato e íntimo
entre prestador de serviços arrendado e solicitante, suprimir momentaneamente a
técnica. No seu semblante de uma Karen tupiniquim, era nítido que por dentro
instava pela volta com que agilmente passei inicialmente suas compras e as de
outros clientes. Mas lá ia eu, fitando código de barras por código de barras, fingindo
não saber onde estavam, antes que vagarosamente os fizesse soar no scanner.
Bip
...
Bip
Trinta segundos por item.
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