Translate

Imagens de Esculturas

O Espírito Santo não é Deus? O Espírito Santo em dado momento não se apresentou por meio de uma imagem: a da pomba? E em outro, mais adiante, por meio de uma imagem de línguas de fogo? Mas a pomba não é a imagem escolhida pelo Espírito Santo? Inclusive não é a que por cuja imagem Ele é mais conhecido? Adorar ao Divino Espírito através da imagem da pomba não seria ainda evidentemente adorar ao Espírito Santo? E não foi o Divino Espírito, e que por ser Deus tem todos os atributos de Deus, a escolher propositadamente a imagem da pomba para se manifestar sobre Deus-Filho. O Espírito Santo, o espírito de verdade onipresente, onisciente, onipotente, onibenevolente , escolheria aparecer justamente por uma imagem se não pudéssemos, usando-a, com referência a Ele, adorá-lo? E antes que se possa adorar ao Espírito pela imagem por Ele escolhida para se revelar, não é necessário, externamente ou internamente, a sua, vamos assim colocar, confecção?

Nem se o homem lutasse muito ele poderia fugir das imagens; ser naturalmente imaginativo e antes imagético. Acontece aqui é que a iconoclastia barata, da qual conservam fragmentos pseudo-doutrinários da verdadeira heresia iconoclasta a maioria dos fiéis protestantes no Brasil, confunde gênero com espécie. Aos verdadeiros iconoclastas, falta-lhes, com as devidas vênias, uma simples, séria e honesta exegese.

Êxodo 20:4-6

Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus (...)

A parte ‘imagens de esculturas’ refere-se às imagens de ídolos. Id est, mutatis mutandis:não farás para ti imagens de ídolos’. ‘Não farás imagens de ídolos’. ‘Imagens de ídolos’. Ora, ídolos são tudo aquilo que se possa colocar no lugar de Deus e que podem, deixando a interioridade do homem pecador, ser eventualmente assim esculpida, ou não. Nada impede que o homem já não tenha feito das imagens ídolos e as adorado mentalmente, com verdadeira vontade, intenção e consciência. Portanto, não existe uma condição sine qua non para que imagens sejam automaticamente exteriorizadas em esculturas ou em qualquer outra expressão artística. Seria um absurdo. Aliás, absolutamente todas as coisas, em cima dos céus, embaixo na terra ou nas águas debaixo da terra, podem ser consideradas ídolos, a partir do momento que podem ser antes consideradas imagens, provenientes por óbvio dos sentidos. A imagem não passa aqui de um dado de realidade captado por algum dos cinco sentidos externos, resguardada pela memória, um sentido interno. E como toda imagem é um dado de realidade, ela se refere, evidentemente, à realidade; tem referência ou lastro na realidade, cá a observável. Nesse sentido, para o invejoso a imagem da cobiça dos bens de seu próximo seria seu ídolo, sua imagem oposta um ícone de virtude que leva a Deus. Para o vaidoso o egoismo; para o pagão fenômenos naturais ou entidades da physis personificados em tipos excelentes de homens e mulheres. Deuses. Veja que nenhuma dessas imagens é necessariamente transformável numa expressão artística, como por exemplo a escultura, para que então só, no lugar de Deus, possam ser adoradas qual ídolos. O pecador sem o propósito de mudar inflado pelo demônio, adora o pecado, e se regozija dele mesmo antes de podê-lo esculpir, em pensamento e palavras, pelo tempo que lhe resta até o Juízo, donde depois, como disse o Cristo, “haverá pranto e ranger de dentes”. Agora, um ícone (espécie), diferente do ídolo, ainda que ambos sejam imagens (gênero) —, tem como referência tão somente a mão do verdadeiro e único Deus Santíssimo.

O problema está em adorar, venerar, imagens? Mas ninguém adora ou venera imagens per se, ou dados de realidade, sim o que elas representam: ídolos ou ícones; isto é, a realidade. Mesmo o mais primitivo dos pagãos não adora dados de realidade, mas a realidade, de cuja deidade máxima pode ser até uma mera árvore.

Satanás sabia que se deturpasse a criação de Deus aos olhos dos homens, a cuja consecução se lhes dá por meio de imagens, poderia levá-los a enxergá-la cada vez mais longe do seu fim, da sua verdadeira beleza, que é, como toda criação, evidenciar a proeza, a glória, as qualidades de seu criador. Ei-lo: o verdadeiro problema. E por muito tempo o homem em sua maioria tomou para si a criação de Deus apartada de seu criador, como um ídolo, passando a adorá-la em si mesma, transferindo num caráter intrínseco a proeza, a glória, as qualidades de Deus para a Sua própria criação. Mas Deus que é todo-poderoso, podendo milagrosamente tirar do mal o bem, restabeleceu a verdade de sua criação definitivamente ao mandar Seu filho amado, Deus-Filho, sob a imagem de carne e ossos de Nosso Senhor Jesus Cristo; que ainda de quebra, quis que o Espírito Santo caísse sobre Ele, mais uma vez, sob uma imagem: a da pomba testemunhada por todos in loco.

Comentários